for a lot of people, it's the first love that they will always remember. for me it's always been the first hate. and i think that hatred, though it provides often rather junky energy, is a terrific way of getting you out of bed, in the morning, and keeping you going.
christopher hitchens, entrevista à cspan, 1992
a minha lista de ódios é interminável, mas podemos começar pelo zeca afonso. odiava este saloio quando (eu) era militante do partido comunista, e continuo a odiar, embora menos, não se vá pensar que entretanto comprei ou tomei de empréstimo alguma estima pelo estado novo, que continuo a odiar, tanto como odeio o zeca afonso, pessoa que odeio. porque me mete nojo. porque o odeio.
este miserável saloio que ganhava a vida mascarado de músico é relativamente fácil de botar abaixo, na medida em que é um caso cujo mérito é exclusivamente devido à folha de serviço (impecável, nesse domínio) no combate ao estado novo. e bota-se abaixo desta maneira: se este pacóvio fosse de persuasão política diametralmente oposta, e se à mesmíssima '
música' que vomitava tivesse adicionado, não palavras de oposição, mas palavras dedicadas à glória do estado novo, há muito que teria sido proscrito. o seu mérito não tem nada que ver com música e tudo a ver com política. e não é preciso ir mais longe.
este ódio pode ser catalogado da seguinte maneira: deve gostar-se de algo da mesma forma que se odeia algo. ou seja, pelas razões certas.
dito isto, acrescento a razão errada para se odiar este cagalhão: o homem andava de braço dado com ideias e animais marxistas. foi entusiasta do prec. foi entusiasta do terrorista otelo saraiva de carvalho. está na altura de começar a ser chamado de verme. este verme nunca defendeu a democracia, defendeu simplesmente a substituição de uma ditadura por outra. fossem as convicções políticas do verme seguidas, e este país teria mergulhado num regime cujos efeitos secundários teriam sido, entre outros: a aniquilação da liberdade de expressão (ou manutenção da ausência desta); o esmagamento da sociedade civil; colapso económico, fome e miséria; anexação
de facto do país pela união soviética (que nenhum
de jure alguma vez os impediu).
esta imagem do josé afonso seria cá do rectângulo a blasfémia da semana, se aqui o ich tivesse alguma relevância (mas que veleidade minha querer ser relevante, eu, que ao contrário do josé afonso sou músico mesmo e a sério). até ao dia em que passe a miopia, e comunistas, trotskyistas, maoistas, estalinistas, e o que quer que seja que venha na receita do
gateau bloc de gauche, ocupem o mesmo lugar na estima dos portugueses que fascistas, salazaristas, hitlerianos, ou os mais obscuros que admiram ante pavelic, já que a equivalência moral entre os uns e outros é absoluta.
o próximo ódio é a astrologia, e vem na categoria de fraude pura e simples.