um centenário
manoel de oliveira faz cem anos e considero de bom tom homenagear o mestre algumas notas biográficas escritas por mim.
comecemos pela verdadeira idade. a vida de oliveira vai apenas em dezanove anos, simplesmente parece muito mais longa. oliveira está neste preciso momento a fazer um teste de fisico-química, e o evento está a ser registado em super oito, num único plano contre plongée, e com um surpreendente john malkovich a desempenhar exemplarmente um papel noutro filme qualquer de outro realizador.
o parto de oliveira foi realizado, produzido e interpretado pelo próprio oliveira e conta com as presenças de robert de niro (médico), linda lovelace (parteiras trigémeas), odete santos (cordão umbilical), lili caneças (fluido amniótico), luis miguel cintra (josé), leonor silveira (virgem maria), e ruy de carvalho / diogo dória / dustin hoffmann (reis magos). oliveira optou por não se manter fiel ao guião original, e transformou um parto sem complicações de quarenta minutos numa experiência deprimente de noventa e oito horas. mas ninguém alguma vez se esquecerá de reflexões profundas como, por exemplo, quando ao fim de setenta horas a quase quase futura mãe pergunta é menino ou menina? e o médico responde ó minha senhora aguente lá os cavalos que eu não sou o francis obikwelu sim? mas enfim, era preciso estar lá para adormecer profundamente.
a sua primeira experiência com uma câmara de filmar foi quando viu uma câmara de filmar. oliveira percebeu que a câmara não se mexia e que o observava meticulosamente.
a primeira namorada que teve foi uma catraia chamada aniki. ela tinha um piercing na língua e fez-lhe coisas que o realizador registou num filme cujo título terá que ser omitido porque este é um blog de família disfuncional. o título é aniki bobó, já agora. é que bóbó pode querer dizer broche, que é quando uma gaja pega no mangalho de um gajo e o mete na boca. como se fosse tumba tumba tumba mas na boca.
no início da sua carreira, oliveira esqueceu-se da câmara de filmar na ribeira do porto, junto à praça do cubo, apontada para a água. a câmara registou seis horas de imagens e oliveira (sempre brilhante e desenrascado) chamou ao filme douro, faina fluvial. devidamente editado, o filme ficou com dez horas e meia. foi com este filme que oliveira provou que a mesma água não passa duas vezes debaixo da ponte, embora o mesmo não se possa dizer de um ou outro cadáver. luis miguel cintra interpreta a água que não passa debaixo da ponte duas vezes. o filme lançou ainda o rio douro na cena nacional, vencendo vários prémios como por exemplo o rolhoto d'or. foi ainda nesta altura que realizou o documentário o pão. e sim, no dia em que o pão foi inventado. o mega projecto (contendo os documentários queijo, ou ainda fiambre, ou mesmo portanto você quer uma tosta mista é isso? e ainda sim e uma fanta laranja muito obrigado) nunca sairam da gaveta. os mega consórcios de tascas nunca se recompuseram da perda de excelentes oportunidades de product placement.
da sua longa (pun intended) obra, consta o filme viagem ao princípio do mundo. oliveira é o único realizador semi vivo com conhecimento de causa para abordar o tema. segundo rumores, o realizador está a preparar uma sequela (memórias do big bang) e uma triquela (como me escondi na arca e escapei ao dilúvio).
oliveira abordou o singular impacto da sua obra nos espectadores, nos filmes inquietude, o dia do desespero e ainda os canibais.
em amor de perdição, oliveira fala de como curtia largo uma gaja ao ponto de se perder (quase sempre em massarelos). a referida gaja deu permissão para que o filme fosse feito, desde que o nome dela nunca fosse mencionado. dois anos depois, oliveira (qual rebelde com causa) realizou o filme francisca.
oliveira conta-nos ainda como uma vez saiu à rua, e, meio senil, esqueceu-se do que tinha ido fazer à rua. poderia ter extraído valiosas pistas da lista de compras no bolso esquerdo, e da coleira de cão (com o respectivo cão na extremidade) na mão direita. mas não, o choné. à pergunta e agora vou para onde?, surgiu como resposta o filme vou para casa.
recentemente, realizou o filme porto da minha infância, mas isto cá para mim é treta. se fosse verdade, o filme chamava-se mas era portus cale infantia meus.
a sua técnica consiste em fazer filmes com um único fotograma, reproduzido através de inovações tecnonológias engendradas pelo realizador tais como ad nauseam ou ad infinitum.
oliveira está neste momento a rodar singularidades de uma rapariga loura. a rapariga loura está a gostar de ser rodada, mas fontes próximas da mesma sugerem que os cortinados não condizem com os tapetes, se é que me faço entender em relação à cor do cabelo e pintelheira.
manoel de oliveira e joão césar monteiro são os maiores vultos do cinema português. há até quem diga que se deviam fundir num só, chamado césar de oliveira. possível realidade, ou quimera demente de um megalómano falhado? seguramente, quimera demente de um megalómano falhado.
comecemos pela verdadeira idade. a vida de oliveira vai apenas em dezanove anos, simplesmente parece muito mais longa. oliveira está neste preciso momento a fazer um teste de fisico-química, e o evento está a ser registado em super oito, num único plano contre plongée, e com um surpreendente john malkovich a desempenhar exemplarmente um papel noutro filme qualquer de outro realizador.
o parto de oliveira foi realizado, produzido e interpretado pelo próprio oliveira e conta com as presenças de robert de niro (médico), linda lovelace (parteiras trigémeas), odete santos (cordão umbilical), lili caneças (fluido amniótico), luis miguel cintra (josé), leonor silveira (virgem maria), e ruy de carvalho / diogo dória / dustin hoffmann (reis magos). oliveira optou por não se manter fiel ao guião original, e transformou um parto sem complicações de quarenta minutos numa experiência deprimente de noventa e oito horas. mas ninguém alguma vez se esquecerá de reflexões profundas como, por exemplo, quando ao fim de setenta horas a quase quase futura mãe pergunta é menino ou menina? e o médico responde ó minha senhora aguente lá os cavalos que eu não sou o francis obikwelu sim? mas enfim, era preciso estar lá para adormecer profundamente.
a sua primeira experiência com uma câmara de filmar foi quando viu uma câmara de filmar. oliveira percebeu que a câmara não se mexia e que o observava meticulosamente.
a primeira namorada que teve foi uma catraia chamada aniki. ela tinha um piercing na língua e fez-lhe coisas que o realizador registou num filme cujo título terá que ser omitido porque este é um blog de família disfuncional. o título é aniki bobó, já agora. é que bóbó pode querer dizer broche, que é quando uma gaja pega no mangalho de um gajo e o mete na boca. como se fosse tumba tumba tumba mas na boca.
no início da sua carreira, oliveira esqueceu-se da câmara de filmar na ribeira do porto, junto à praça do cubo, apontada para a água. a câmara registou seis horas de imagens e oliveira (sempre brilhante e desenrascado) chamou ao filme douro, faina fluvial. devidamente editado, o filme ficou com dez horas e meia. foi com este filme que oliveira provou que a mesma água não passa duas vezes debaixo da ponte, embora o mesmo não se possa dizer de um ou outro cadáver. luis miguel cintra interpreta a água que não passa debaixo da ponte duas vezes. o filme lançou ainda o rio douro na cena nacional, vencendo vários prémios como por exemplo o rolhoto d'or. foi ainda nesta altura que realizou o documentário o pão. e sim, no dia em que o pão foi inventado. o mega projecto (contendo os documentários queijo, ou ainda fiambre, ou mesmo portanto você quer uma tosta mista é isso? e ainda sim e uma fanta laranja muito obrigado) nunca sairam da gaveta. os mega consórcios de tascas nunca se recompuseram da perda de excelentes oportunidades de product placement.
da sua longa (pun intended) obra, consta o filme viagem ao princípio do mundo. oliveira é o único realizador semi vivo com conhecimento de causa para abordar o tema. segundo rumores, o realizador está a preparar uma sequela (memórias do big bang) e uma triquela (como me escondi na arca e escapei ao dilúvio).
oliveira abordou o singular impacto da sua obra nos espectadores, nos filmes inquietude, o dia do desespero e ainda os canibais.
em amor de perdição, oliveira fala de como curtia largo uma gaja ao ponto de se perder (quase sempre em massarelos). a referida gaja deu permissão para que o filme fosse feito, desde que o nome dela nunca fosse mencionado. dois anos depois, oliveira (qual rebelde com causa) realizou o filme francisca.
oliveira conta-nos ainda como uma vez saiu à rua, e, meio senil, esqueceu-se do que tinha ido fazer à rua. poderia ter extraído valiosas pistas da lista de compras no bolso esquerdo, e da coleira de cão (com o respectivo cão na extremidade) na mão direita. mas não, o choné. à pergunta e agora vou para onde?, surgiu como resposta o filme vou para casa.
recentemente, realizou o filme porto da minha infância, mas isto cá para mim é treta. se fosse verdade, o filme chamava-se mas era portus cale infantia meus.
a sua técnica consiste em fazer filmes com um único fotograma, reproduzido através de inovações tecnonológias engendradas pelo realizador tais como ad nauseam ou ad infinitum.
oliveira está neste momento a rodar singularidades de uma rapariga loura. a rapariga loura está a gostar de ser rodada, mas fontes próximas da mesma sugerem que os cortinados não condizem com os tapetes, se é que me faço entender em relação à cor do cabelo e pintelheira.
manoel de oliveira e joão césar monteiro são os maiores vultos do cinema português. há até quem diga que se deviam fundir num só, chamado césar de oliveira. possível realidade, ou quimera demente de um megalómano falhado? seguramente, quimera demente de um megalómano falhado.