montag passada fomos à
cosi fan tutte, na semper (quão elegante, quão
upper class, não referir a autoria, nem dizer o que é a semper). todas as cerca de zero pessoas que me visitam com regularidade estarão devidamente informadas acerca do meu ponto de vista em relação à frivolidade da crítica. não percamos
pixels com o assunto. sejamos originais e façamos, pela primeira vez na história (ou talvez não, caso alguém já tenha tido esta ideia algures no passado) uma crítica do público.
lá porque o
libretto é italiano, o público não tem que ser. aplaudir no final de cada cena é sinceramente labrego. mais: aplaudir durante nove segundos (numa das transições de cena) uma performance que não merece mais do que sete segundos, oitenta e quatro
nano e um calipo de morango, demonstra falta de sentido de estado e hepatite.
a coisa piora nas conversas de intervalo. quão longínquos, os tempos em que alguém perguntava
ouviste o boulez a dirigir em berlin, e alguém respondia
apenas os fortissimi, estava em bremen na altura, sabes. não. este público optou por conduzir as conversas numa língua que ainda não domino por completo e subsequentemente colocar-me na condição de não perceber um calhau do que se discutiu.
faça-se contudo alguma justiça. a esmagadora maioria do público demonstrou uma tal intimidade com a totalidade da obra, que fez coincidir cerca de noventa e oito por cento do total de tosse (alguns
virtuosi já conseguem tossir em dinamarquês, ou aplicar ligeiras sugestões de bronquite) com os
tutti orquestrais. os restantes dois por cento dividem-se entre tosse intempestiva e coincidência com
tutti parciais.
outro facto surpreendente é a faixa etária do grosso do público. cerca de quatro quintos da audiência aparentava idades entre os quinze e os vinte e seis anos. o restante, não mais que quarenta e seis. o facto de isto ser uma mentira grosseira, uma completa falsidade inventada por mim neste preciso momento não altera em nada o bom sinal que isto poderia representar para o futuro da ópera, caso fosse verdade.
no cômputo geral, as equipas estiveram bem e o resultado evidencia de forma cabal o que se passou em campo. a verdade operática foi reposta. os big ladens da ópera sofrerão, a seu tempo, as devidas represálias.