Friday, June 29, 2007

sardinhas em conserva

a esquerda tem sido tão útil à luta contra o terrorismo como uma infecção urinária. mas a direita (que deveria ter abandonado a permeabilidade ao fundamentalismo religioso, nos últimos cinco anos) permanece imóvel no assalto à razão e à decência.

eis que surge a conservapedia, a resposta conservadora (sic) à wikipedia. remeto o meu leitor para a entrada sobre homossexualidade com uma advertência: a leitura desta diarreia pode provocar náuseas, vómitos, ou adesão ao bloco de esquerda.

cosi fan tutte

montag passada fomos à cosi fan tutte, na semper (quão elegante, quão upper class, não referir a autoria, nem dizer o que é a semper). todas as cerca de zero pessoas que me visitam com regularidade estarão devidamente informadas acerca do meu ponto de vista em relação à frivolidade da crítica. não percamos pixels com o assunto. sejamos originais e façamos, pela primeira vez na história (ou talvez não, caso alguém já tenha tido esta ideia algures no passado) uma crítica do público.

lá porque o libretto é italiano, o público não tem que ser. aplaudir no final de cada cena é sinceramente labrego. mais: aplaudir durante nove segundos (numa das transições de cena) uma performance que não merece mais do que sete segundos, oitenta e quatro nano e um calipo de morango, demonstra falta de sentido de estado e hepatite.

a coisa piora nas conversas de intervalo. quão longínquos, os tempos em que alguém perguntava ouviste o boulez a dirigir em berlin, e alguém respondia apenas os fortissimi, estava em bremen na altura, sabes. não. este público optou por conduzir as conversas numa língua que ainda não domino por completo e subsequentemente colocar-me na condição de não perceber um calhau do que se discutiu.

faça-se contudo alguma justiça. a esmagadora maioria do público demonstrou uma tal intimidade com a totalidade da obra, que fez coincidir cerca de noventa e oito por cento do total de tosse (alguns virtuosi já conseguem tossir em dinamarquês, ou aplicar ligeiras sugestões de bronquite) com os tutti orquestrais. os restantes dois por cento dividem-se entre tosse intempestiva e coincidência com tutti parciais.

outro facto surpreendente é a faixa etária do grosso do público. cerca de quatro quintos da audiência aparentava idades entre os quinze e os vinte e seis anos. o restante, não mais que quarenta e seis. o facto de isto ser uma mentira grosseira, uma completa falsidade inventada por mim neste preciso momento não altera em nada o bom sinal que isto poderia representar para o futuro da ópera, caso fosse verdade.

no cômputo geral, as equipas estiveram bem e o resultado evidencia de forma cabal o que se passou em campo. a verdade operática foi reposta. os big ladens da ópera sofrerão, a seu tempo, as devidas represálias.

Sunday, June 24, 2007

ideias

estou a trabalhar numa adaptação ao cinema do catálogo do pingo doce.

agradecimentos

prestes a completar um ano, este blog atingiu ontem as quinze visitas. obrigado à outra pessoa.

Tuesday, June 19, 2007

mistério

Sunday, June 17, 2007

ligeira confusão

passou-me ao lado o dez de junho. involuntariamente. isto significa que este ano não deixei um copo de leite e um biscoito junto à lareira para camões, portugal, e as comunidades portuguesas.

Thursday, June 14, 2007

richard rorty

desconfiei quando passei por uma livraria na louisenstrasse e vi a montra cheia de livros dele (de todas as suposições possíveis, escolhi a pior, vá-se lá saber porquê).

Wednesday, June 13, 2007

uniformidade de critérios

qual pierre boulez, qual brian ferneyhough, qual george benjamin, qual krzysztof penderecki. foi o bob dylan a vencer o prémio príncipe das asturias. dou-me ao luxo de profetizar o fim do mundo, de dizer que a astróloga maya pode (e deve) começar a sonhar com os prémios nobel da física e da literatura, e que david duke e mahmoud ahmadinejad podem aspirar à representação no yad vashem. a mediocridade ao poder. já.

atendedor review of music

qualquer um dos quatro compositores tocados pela berliner philharmoniker na passado sábado teria reconhecido ao milímetro a peça que imaginou. esta é a única forma de fazer crítica à qual consigo reconhecer legitimidade.

Saturday, June 09, 2007

a vida na mitteleuropa

arnold schönberg, alban maria johannes berg, anton friedrich wilhelm von webern e béla viktor jános bartók soarão no grande auditório da filarmónica de berlin, a filarmónica toca, o pierre boulez dirige. e eu vou lá ouvir. regresso a dresden amanhã à noite e a agenda para o fim de semana prevê uma visita ao knut (não confirmada) e montes de cheesecake e peppermint mocha no starbucks.

até já.

Friday, June 08, 2007

ur

foi no filme my family and other animals que encontrei esta frase, que exijo para exibir na minha pedra tumular:

if we don't live above our possibilities, no bank will ever respect us

os zeros e os nadas

esta semana, alguns dos chimpanzés retardados que optaram por permanecer aqui em dresden em vez de irem protestar para heiligendamm, ou para um qualquer zoológico (onde o conteúdo ideológico destas amebas talvez faça algum sentido, ao pé das girafas e dos babuínos) consideraram vantajoso para a comunidade deixar clara a sua oposição perante um fenómeno que nenhum deles saberia descrever (aquela quantidade de álcool e haxixe tem as suas consequências). desfilaram por aí, com bandeiras vermelhas e megafones dos quais saíam monumentos linguísticos (o mais cabal exemplo do virtuosismo intelectual desta gente) como revolution is the solution (em inglês. estranha escolha de idioma para anti imperialistas).

à (habitual) inanidade do slogan, eu respondo com outro, inspirado na natureza da higiene pessoal dos desfilantes, igualmente inane mas incomensuravelmente mais útil: revolution may not be the solution, but a shower would be a good start.