Thursday, April 26, 2007

bilhetes de identidade

é para mim um dos mais deliciosos pedaços de literatura. a primeira emenda da constituição norte americana:

congress shall make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof; or abridging the freedom of speech, or of the press; or the right of the people peaceably to assemble, and to petition the government for a redress of grievances.

a minha querida europa, vetusta, obcecada com constituições, jurisprudências e regulamentações, deveria caminhar no sentido americano e não no sentido inverso. isto significa uma extensão da liberdade de expressão a figuras desprezíveis como david irving e robert faurisson. ou isso, ou criminalizar o revisionismo pró soviético, pró chinês, pró albanês, pró norte-coreano. e porquê parar aí, já agora? eu próprio gostaria de bloquear o direito que as pessoas têm de dizer que eu nem sempre tenho razão ou de dizer que sou careca. e (porque não?), enfiar atrás de grades todas as pessoas que dizem que a inquisição nunca existiu. e as que dizem que eu nem sempre tenho razão.

Wednesday, April 25, 2007

lápis vermelho

a um par de milhares de quilómetros de casa, preferia não celebrar a revolução de setenta e quatro precisamente na altura em que nos preparamos para fazer um ligeiro corte na liberdade de expressão.

consenso

é consensual e não polémico, que o último post é um fracasso como piada. chega a ser triste e desolador. e nem sequer recolhi qualquer opinião.

Monday, April 23, 2007

antes que me esqueça

semana passada fui preso. infringi a lei da gravidade.

Saturday, April 21, 2007

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christopher hitchens. a conferência completa (numa universidade canadiana) está disponível no youtube

Thursday, April 19, 2007

i smell a rodent

todas as noites, a mesma coisa. por volta das três da manhã (voltou a acontecer há poucos minutos), saio à rua para fumar (isto fica entre nós, porque para todos os efeitos, deixei de fumar) e passa por mim o esquilo. digo o (ênfase no artigo, por favor, grite-o mentalmente) porque é sempre o mesmo. o hábito mecanizado e a pontualidade sugerem-me marosca. o gajo anda a cozinhar alguma.

Friday, April 06, 2007

kreuzige! kreuzige!

e ontem foi a vez da paixão segundo são mateus, na kreuzkirche. desta vez, fingi que ia aplaudir, só para assustar a senhora sentada ao meu lado.

Monday, April 02, 2007

quase gaffe

a páscoa é um pequeno período de tréguas entre mim e a religião. mais especificamente, entre mim e o protestantismo. é a altura em que (na alemanha) é só escolher a igreja na qual se quer ouvir as paixões. ontem foi a de são joão, na diakonissenhauskirche (luterana).

não foi tanto um concerto como um ritual religioso (avant la lettre), findo o qual quase cometi pecado mortal: aplaudir. tinha as palmas das mãos estendidas, próximas e paralelas, prestes a furar o silêncio final com estalos. a pessoa sentada ao meu lado esclareceu-me acerca do processo com um lento piscar de olhos em concomitância com um proibitivo e veloz abanar da cabeça (um lento teria sido reprovador. o rápido é preventivo) e um sorriso (daqueles que dizem «não há problema, percebo que não é das redondezas»). em bom minuto. o resultado teria sido um ruído inconveniente e desrespeitoso, todos os reprovadores olhos na minha direcção, um ritardando do meu aplauso, seguido de um yours truly consideravelmente cabisbaixo. a dimensão da gaffe é facilmente perceptível: a paixão segundo são joão é uma fenomenal obra musical de bach, mas é também um documento sagrado que narra a cruxificação. aplaudir isso é coisa que algumas pessoas não aceitam com bons olhos.

segue-se a de são mateus. estou só a escolher a versão que quero ouvir.