Thursday, November 30, 2006
não percebo o alarido à volta da questão da legalização do aborto, quando há uma solução simples, à disposição de toda a gente: o aborto espontâneo. é gratuito, não é responsabilidade de ninguém, e já é legal.
os três porquinhos
era uma vez três porquinhos. o primeiro construiu uma casa de palha. ardeu. o segundo construiu uma casa de madeira. guess what? o terceiro pediu um empréstimo, comprou uma casa de tijolo, mas agora com esta brincadeira dos arredondamentos perpetrada pela banca, não sabe para onde se virar, afogado em dívidas.
moral da história?
a banca manifesta um profundo ódio pelos porquinhos. ergo, a banca é muçulmana. ergo, terroristas. a revolta aberta contra a banca é o único caminho possível, ou então os terroristas terão ganho.
moral da história?
a banca manifesta um profundo ódio pelos porquinhos. ergo, a banca é muçulmana. ergo, terroristas. a revolta aberta contra a banca é o único caminho possível, ou então os terroristas terão ganho.
Monday, November 27, 2006
psicologia
prefácio
este é um daqueles posts em que o autor do blog dá a entender que vai dar o mesmo por encerrado, de forma a receber mensagens encorajadoras por parte da sua gigantesca comunidade de leitores.
fácio
há algum tempo que não chove cá nada (peço perdão pela ironia, considerando a meteorologia actual). o blog está cansado de mim e vice versa. como já vi este filme, não me é difícil adivinhar no que isto vai dar. resta saber o tempo que falta.
posfácio
eu avisei.
este é um daqueles posts em que o autor do blog dá a entender que vai dar o mesmo por encerrado, de forma a receber mensagens encorajadoras por parte da sua gigantesca comunidade de leitores.
fácio
há algum tempo que não chove cá nada (peço perdão pela ironia, considerando a meteorologia actual). o blog está cansado de mim e vice versa. como já vi este filme, não me é difícil adivinhar no que isto vai dar. resta saber o tempo que falta.
posfácio
eu avisei.
Tuesday, November 21, 2006
estado do sítio
o estúdio de ópera da casa da música foi à vida. agora é a festa da música. fair enough. o goût português para a música é praticamente retardado. a hegemonia avassaladora da cultura pop (quem me dera que as letras estivessem ainda mais inclinadas, quase a roçar o chão) e a completa inexistência de música a sério parece-me uma situação mais consentânea com o diagnóstico do goût cá do burgo.
chuva benta?
regressado de manchester, onde o joelho (lesionado em berlin) miraculosamente se curou.
Friday, November 17, 2006
mamucium
descobri o que se segue na wikipedia:
the name "manchester" came from the roman name mamucium, thought to be a latinisation of an original celtic name (possibly meaning "breast-like hill" from mamm- = "breast"), plus anglo-saxon ceaster = "town", which is derived from latin castra = "camp".
agora, com esta informação na ponta dos dedos, é meu dever moral estar mais atento às mamas das mulheres de manchester, e prometo solenemente fazê-lo amanhã.
the name "manchester" came from the roman name mamucium, thought to be a latinisation of an original celtic name (possibly meaning "breast-like hill" from mamm- = "breast"), plus anglo-saxon ceaster = "town", which is derived from latin castra = "camp".
agora, com esta informação na ponta dos dedos, é meu dever moral estar mais atento às mamas das mulheres de manchester, e prometo solenemente fazê-lo amanhã.
Thursday, November 16, 2006
record
ia atrever-me a escrever que manchester tem mais starbucks que berlin. mas isso é um exagero. manchester tem mais starbucks que o resto do planeta. que digo? manchester tem mais starbucks que o próprio dono da empresa.
mission accomplished
por norma, faço questão de comprar uma partitura em cada cidade que visito. coube a manchester a segunda sinfonia de mahler.
Wednesday, November 15, 2006
primeiro olhar
o mito é verídico, aqui conduz-se à esquerda. tal como nas auto estradas portuguesas.
Tuesday, November 14, 2006
mais uma viagem
desta vez para manchester. espero que haja mais pontos de interesse na cidade para além da camisola sete do manchester united.
Monday, November 13, 2006
economia
há dias, no supermercado (não digo qual é, mas a primeira palavra é o masculino de pinga e a segunda palavra é o antónimo de azedo), uma mulher fazia o check out das compras. a rapariga da caixa informa-a
sete euros e trinta e oito cêntimos, por favor
a mulher entrega-lhe uma nota de dez euros. a rapariga pede
não tem mais pequeno, por favor?
a lógica desta conversa escapa-me. a não ser que estejam finalmente em circulação as notas de sete euros e trinta e oito cêntimos.
sete euros e trinta e oito cêntimos, por favor
a mulher entrega-lhe uma nota de dez euros. a rapariga pede
não tem mais pequeno, por favor?
a lógica desta conversa escapa-me. a não ser que estejam finalmente em circulação as notas de sete euros e trinta e oito cêntimos.
Friday, November 10, 2006
epifania
ontem, a meio de uma conversa de café num café (coisa rara para mim), consegui finalmente definir a minha relação com este país.
gosto de portugal como quem gosta de um familiar retardado.
gosto de portugal como quem gosta de um familiar retardado.
coisas doentias
aspirar a casa, o entusiasmo exponenciado pelo terceiro acto de die walküre aos berros.
a pequena homenagem de um dono de casa a david llewelyn wark griffith e francis ford coppola.
a pequena homenagem de um dono de casa a david llewelyn wark griffith e francis ford coppola.
Wednesday, November 08, 2006
profecia
we will, in fact, be greeted as liberators
disse uma vez dick cheney, acerca da invasão do iraque. são cinco da manhã, e por todo o país (o dele), os democratas estão efectivamente a ser saudados como libertadores.
disse uma vez dick cheney, acerca da invasão do iraque. são cinco da manhã, e por todo o país (o dele), os democratas estão efectivamente a ser saudados como libertadores.
Friday, November 03, 2006
berlin
ou o eixo do mal. três.
imagino-me no mesmo sítio há dezoito anos atrás. tento imaginar o que seria olhar para lá do limiar do pesadelo e não poder sequer dar-me ao luxo de pensar em quão hediondo aquele prédio é. porque mais quatro ou cinco passos e seria um gajo livre, não fosse o poder dissuasivo de uma bala com o meu nome em resposta à simples ideia de os dar.

liberto de uma ideologia falida, o sonho pode, e deve, ser sonhado novamente.
george steiner, the idea of europe
imagino-me no mesmo sítio há dezoito anos atrás. tento imaginar o que seria olhar para lá do limiar do pesadelo e não poder sequer dar-me ao luxo de pensar em quão hediondo aquele prédio é. porque mais quatro ou cinco passos e seria um gajo livre, não fosse o poder dissuasivo de uma bala com o meu nome em resposta à simples ideia de os dar.

liberto de uma ideologia falida, o sonho pode, e deve, ser sonhado novamente.
george steiner, the idea of europe
berlin
ou o eixo do mal. dois.
walter benjamin escreveu que o que é decisivo em fotografia continua a ser a relação do fotógrafo com a sua técnica (kleine geschichte der photographie). neste caso, é a relação do fotógrafo (o itálico sou eu) com a sua história pessoal. enquadrei-os na diagonal porque me dá prazer vê-los cair.

com a queda do marxismo na tirania bárbara e na nulidade económica, perdeu-se um grande sonho de- como trotsky proclamou- o homem comum seguir as pisadas de aristóteles e goethe.
george steiner, the idea of europe
walter benjamin escreveu que o que é decisivo em fotografia continua a ser a relação do fotógrafo com a sua técnica (kleine geschichte der photographie). neste caso, é a relação do fotógrafo (o itálico sou eu) com a sua história pessoal. enquadrei-os na diagonal porque me dá prazer vê-los cair.

com a queda do marxismo na tirania bárbara e na nulidade económica, perdeu-se um grande sonho de- como trotsky proclamou- o homem comum seguir as pisadas de aristóteles e goethe.
george steiner, the idea of europe
berlin
ou o eixo do mal. um.
o memorial do holocausto dói-me como se fosse judeu, e dói-me como se fosse alemão. o que significa que, pelo menos para mim, cumpre o objectivo. partindo do princípio que o objectivo é aviso e memória. porque se é redenção, a conversa é outra.

houve protestos corajosos contra o ódio anti-semita tanto dentro do catolicismo romano como em vários ramos do protestantismo. recentemente, foram expressas desculpas cosméticas e introduziram-se alterações em alguns dos mais odiosos textos litúrgicos. mas isto é muito pouco. a verdade brutal é que a europa se recusou, até à data, a reconhecer e a analisar, quanto mais a retractar-se, o papel diversificado da cristandade na hora mais negra da história.
george steiner, the idea of europe
o memorial do holocausto dói-me como se fosse judeu, e dói-me como se fosse alemão. o que significa que, pelo menos para mim, cumpre o objectivo. partindo do princípio que o objectivo é aviso e memória. porque se é redenção, a conversa é outra.

houve protestos corajosos contra o ódio anti-semita tanto dentro do catolicismo romano como em vários ramos do protestantismo. recentemente, foram expressas desculpas cosméticas e introduziram-se alterações em alguns dos mais odiosos textos litúrgicos. mas isto é muito pouco. a verdade brutal é que a europa se recusou, até à data, a reconhecer e a analisar, quanto mais a retractar-se, o papel diversificado da cristandade na hora mais negra da história.
george steiner, the idea of europe
Thursday, November 02, 2006
berlin
ou a cidade que conheço de cor. dois.
as portas de brandenburgo. o meu ponto de partida para qualquer trajecto. muitas vezes, é também o ponto de chegada. qualquer viagem que faça em berlin começa com artifício e majestade. ou acaba. ou ambos.

daí o sentimento, muitas vezes expresso por turistas do novo mundo ou down under na europa, de que as paisagens são manicuradas, de que os seus horizontes sufocam. daí o sentimento de que os «grandes céus» americanos, sul africanos e australianos são desconhecidos na europa. para um olhar americano, até as nuvens europeias podem parecer domesticadas. estão povoadas de divindades antigas, envoltas em roupagens de tiepolo.
george steiner, the idea of europe
as portas de brandenburgo. o meu ponto de partida para qualquer trajecto. muitas vezes, é também o ponto de chegada. qualquer viagem que faça em berlin começa com artifício e majestade. ou acaba. ou ambos.

daí o sentimento, muitas vezes expresso por turistas do novo mundo ou down under na europa, de que as paisagens são manicuradas, de que os seus horizontes sufocam. daí o sentimento de que os «grandes céus» americanos, sul africanos e australianos são desconhecidos na europa. para um olhar americano, até as nuvens europeias podem parecer domesticadas. estão povoadas de divindades antigas, envoltas em roupagens de tiepolo.
george steiner, the idea of europe
berlin
ou a cidade que conheço de cor. um.
nunca me perco em berlin. excepto nas alturas em que não faço a mínima ideia de onde estou. coisa que nunca acontece, de resto. mas quando acontece [e acontece muitas vezes (embora nunca tenha acontecido)], olho para o céu, à procura da torre da televisão, na alexanderplatz. encontro-a (ser-me-ia mais fácil encontrá-la se os canais não estivessem todos dobrados em alemão) e a partir daí, sei onde estou e por onde ir.

não conhecer bem os percursos de uma cidade não tem muito que se lhe diga. perder-se, no entanto, numa cidade, tal como é possível acontecer num bosque, requer instrução.
walter benjamin, berliner kindheit um neunzehnhundert
nunca me perco em berlin. excepto nas alturas em que não faço a mínima ideia de onde estou. coisa que nunca acontece, de resto. mas quando acontece [e acontece muitas vezes (embora nunca tenha acontecido)], olho para o céu, à procura da torre da televisão, na alexanderplatz. encontro-a (ser-me-ia mais fácil encontrá-la se os canais não estivessem todos dobrados em alemão) e a partir daí, sei onde estou e por onde ir.

não conhecer bem os percursos de uma cidade não tem muito que se lhe diga. perder-se, no entanto, numa cidade, tal como é possível acontecer num bosque, requer instrução.
walter benjamin, berliner kindheit um neunzehnhundert
Wednesday, November 01, 2006
berlin
ou as coisas que me deixam inexplicavelmente feliz. dois.
encontrei a walter benjamin platz no mapa, primeiro. e apenas por acaso. saí disparado à procura da praça, arrastando um joelho dorido e uma namorada paciente.

nomes de ruas devem então falar àquele que se perdeu como o estalar de ramos secos, e pequenas ruas no interior de uma cidade devem reflectir-lhe as horas do dia com tanta clareza como se fossem um vale.
walter benjamin, berliner kindheit um neunzehnhundert
encontrei a walter benjamin platz no mapa, primeiro. e apenas por acaso. saí disparado à procura da praça, arrastando um joelho dorido e uma namorada paciente.

nomes de ruas devem então falar àquele que se perdeu como o estalar de ramos secos, e pequenas ruas no interior de uma cidade devem reflectir-lhe as horas do dia com tanta clareza como se fossem um vale.
walter benjamin, berliner kindheit um neunzehnhundert


